Errar em cor. Como se erra pelos caminhos mais tortos de escrever, e como imprimir a marca em cor se toda cor já foi usada? E como escapo do clichê da falta de assunto, quando a falta de assunto é, antes de tudo, falta de desejo - de desejo de vida, de sede de palavra, de anseio e observação-?
Ela observa da janela do carro um pássaro pequeno pousado na calçada, e a visão a transporta pra não sei que lugar de cheiros antigos, esquecidos nas dobras do vestido da avó. De novo sonhar com igrejas, com antigas pegadas. De novo pensar que o grão de areia que se é no mundo quer rodopiar em outras vidas, em todos os tempos...
O chiiiiiaaaaaadddddooo da cidade é um alfinete na caixa de coser. Um espaço imensurável de tempo separando a ponta espetada na lã, e o carro espetado no asfalto. O farol pede passagem. Verde alegre que camufla a idéia que se vinha tendo sobre (...)
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Um comentário:
(...) sobre? O pássaro ficou atrás na calçada e o sonho foi inundado pela luz verde. Você acordou e acabou o assunto, a vontade. Pelo menos restou um fragmento :)
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